🌬️ DEIXA VIR
Um sopro de rendição, amor e simplicidade.
Recebo uma brisa suave em meu rosto e ouço: deixa vir.
Enquanto deslizo os dedos sobre a tela, o vento sopra mais forte, incidindo sobre as marés que foram balançadas nos últimos tempos.
O que foi, levou crenças, ideias, pensamentos e estruturas quase cristalizadas sobre o amor, meu feminino sagrado, meu poder e minha força.
Muitas vezes nos deparamos com a vida como ondas altas.
Logo depois, uma marola.
E em seguida, o simples ato de se entregar na areia da praia.
Nesse movimento contínuo, que nunca permanece o mesmo, acontecem os nossos dias.
Tenho percebido que a cura, muitas vezes, acontece em meio ao que é simples.
E talvez essa seja a palavra e o poder desse fechamento de ano: simplicidade.
Sinto que essa tal simplicidade é como abrir um pequeno pote de vidro, lá dentro, um pó dourado.
E nele, a completude de tudo o que vemos e vivemos ao nosso redor e principalmente, dentro de nós.
Mas ao olhar para esse pequeno pote, a nossa visão talvez não contemple a magnitude e o poder do que ele contém.
Talvez o julguemos pequeno demais, e não sejamos chamados a experimentar seu conteúdo por pura insignificância.
Porém, aqueles que, como eu, quando a vida pede muito esforço e diante dela se sentem frágeis, sem forças, desanimados ou até mesmo impotentes, recorrem àquilo que foge ao controle da mente:
A rendição. A entrega.
E é só assim que encontramos o pote dourado.
Mesmo diante dele, talvez o ignoremos num primeiro instante — até que nos render seja a única opção.
E então, o pó dourado se revela em sua sutileza, mostrando a grande verdade da vida:
“o amor está em tudo e em todas as coisas”
Na rendição e por ela vivi uma segunda-feira regida pela Lua.
Um dia atípico, sem expectativas, sem pedidos, sem ansiedade ou preocupações.
Apenas uma singela oração onde a presença é o próprio respiro do Ser.
O agradecimento genuíno diante de um dia que, a meu ver, já estava preparado nos mínimos detalhes e pelo amor.
A nós, cabe apenas viver.
Estar presentes para desfrutar do melhor que nos é revelado.
E, como num dia comum entre tarefas corriqueiras, o encontro aconteceu. Não apenas com o outro, mas com o reflexo da faísca cósmica e divina que vibra em nós — refletida e em perfeita frequência no outro.
A fusão aconteceu. E quando acontece, o tempo para.
O olhar se torna um - num vai e vem sereno.
O tom da voz vira melodia, em sintonia com as batidas do coração.
A egrégora formada entre eu e o outro se torna um campo energético potente, amoroso, leve — onde o barulho externo se cala diante da presença pura de ambos. Um pequeno instante que parece durar horas.
Esse momento único e revelador é o presente divino:
quando me percebo sem camadas, muros, defesas ou armaduras do dia a dia, apenas vivendo.
Aqui busco trazer, materializar — ou quem sabe até mesmo deixar vir — o que vivi num nível sutil, simples, mágico. Mas quando tento dar forma, me escapa entre os dedos, porque é rico demais para ser descrito.
No nível do Sentir, a mente não domina.
Ela pede licença para servir ao mistério maior do amor divino.
Meus olhos se umedecem novamente quando a lembrança daquele instante emerge em meu Ser.
Uma alquimia perfeita — a ebulição da água (emoções), o ar (espírito), a presença na matéria (corpo, universo inteiro) — e a mente curvada, a serviço do céu e de seus mistérios.
Cria-se, então, a menor partícula numa explosão semelhante ao Big Bang — um ponto de luz que banha todo o Ser, integrando feminino e masculino. Essa pequena partícula, como ondas magnéticas, me expandi.
Por dias e noites, foi me tomando como uma medicina sagrada, curando todo o meu viver.O sono veio leve, em descanso merecido.
A percepção do corpo era como se me visse ligada a um pisca-pisca de árvore de Natal, que acendia lentamente em todos os meus chakras, iluminando-me.
Nem mesmo o desconforto dos dias que se seguiram foi suficiente para balançar ou desfazer esse campo magnético de amor.
O corpo, que antes queimava diante de um fogo interno — vulcão adormecido — agora pedia embalo, fluidez, entrega.
Experimentei algo novo, que antes soava avesso à minha vontade: nadar em uma piscina fria e molhar as longas madeixas? Jamais!
Mas na noite de Lua Cheia em Áries, o corpo clamava por mergulhar.
E eu negava, friamente, com a mente lógica, buscando justificativas que me convencessem de não ir.
Vi-me numa luta desigual: a mente controladora tentando me satisfazer com o comum, com o cotidiano — com a zona que me fazia acreditar ser de conforto.
Mas a intuição — essa que tanto falamos — nada mais é do que o meu Eu Sou gritando para ser ouvido.
E assim, eu deixei vir.
Quase às 22h, troquei de roupa e corri para os sessenta minutos restantes do uso da piscina do condomínio. A princípio, coloquei a touca para preservar as madeixas secas.
Mas me rendi!
Mergulhei nas águas azuis que ecoavam um som de aconchego.
Boiei e me rendi ao céu estrelado de uma noite de Lua Cheia que banhava por inteiro.
Senti-me uma com as águas — numa dança entre o novo olhar para o corpo que suavemente se movia. Permiti-me experimentar a água — a piscina que antes causava asco — e os cabelos molhados que se misturavam, fluindo com ela.
E ri de mim!
Um riso de canto, leve, alegre — como o de uma criança que experimenta o brincar pela primeira vez.
O intestino — que não guarda apenas o que o corpo já não precisa, mas também memórias densas, emoções reprimidas, dores esquecidas e medos ocultos — também se rendeu à limpeza e à purificação.
Uma grande iniciação foi-me oferecida: purificação, limpeza e rendição.
Mesmo que o agradecimento não viesse de imediato, pois eu ainda me sentia anestesiada pela alquimia da semana.
Na astrologia, dizemos que onde Júpiter toca, ele expande. Pois bem — meu mundo é simbólico, e leio nos pequenos detalhes do cotidiano os grandes enigmas do velejar da vida.
E é exatamente quando perdemos a vela, a boia, o remo,
que somos guiados a encontrar o pote com o pó dourado.
Deixa vir.
O que ainda não conhecemos;
O que a mente lógica ainda não contempla ;
O que ainda não desejamos, nem sentimos falta.
Apenas isso:
Deixa vir.
*Queridos leitores,
Essa é um novo formato de newsletter que chegou a mim no momento que escrevia, assim senti-me de ouvir eu mesma esse soar dos ventos que me tocaram tão profundamente e de forma poética eu começo a SENTIR O AMOR de forma única e ainda não experienciada. Logo, convido e deixo de presente também essa partilha como um grito na multidão: DEIXA VIR.
Um grande abraço no coração!
Espero que gostem e se puder deixar seu comentário, já começarei a semana com gostinho de quero mais.

Uau, adorei esse banho de piscina e de lua, rendendo-se! Que gostoso deve ter sido e que alívio! Consigo ler no teu texto o tensionamento que a vida às vezes nos coloca e as possibilidades que sempre estão disponíveis, mas nem sempre são percebidas, como a simples rendição. As aparências não são a realidade e a vida é sempre uma construção da nossa percepção. Obrigada por compartilhar teus momentos de encontro profundo consigo mesma! 😘
Carliza eu que agradeço de ser lida por você! Sim, e as vezes é num pequeno gesto que nos permitimos estar presentes e ir além do que o comum ensaia todos os dias. Grande abraço 🤗