SILÊNCIO
Quando o silêncio virou meu remédio...
Quando apenas eu ouço o barulho da vida acontecendo lá fora, para mim... isso é silêncio.
E é nele que me encontro.
Ouço as batidas do meu coração como uma canção que me acalma, e me sinto segura.
Mas nem sempre foi assim.
O silêncio, por muito tempo, foi lugar de medo.
Nele, eu não sabia habitar.
Era demais para alguém tomada por um turbilhão de pensamentos inquietantes, questionadores — muitas vezes, julgadores da minha própria expressão.
As vozes não se calavam nem ao dormir.
No meio das conversas, além de ouvir o outro (ou pelo menos achar que ouvia), eu também ouvia as vozes internas opinando, argumentando... E já criava respostas antes mesmo do fim da fala alheia.
Quando me via sozinha, corria do silêncio.
Buscava música, leitura, escrita, Netflix, o celular — qualquer coisa que abafasse o assustador “silêncio”.
Outras vezes, o cansaço do dia me fazia dormir — mas era um corpo exausto, não uma mente em paz.
Entregava-me aos ditames de uma mente que seguia padrões, crenças, costumes.
Vivia sob verdades absolutas.
Havia também a adrenalina que produzia com os esportes, que me levavam ao esgotamento e ao limite de mim mesma.
Mas o corpo, sábio, começou a gritar.
Sintomas, exaustão. Aparentemente físicos, mas profundamente emocionais.
Tentei o caminho dos remédios milagrosos para acalmar uma mente diagnosticada como ansiosa.
Por um tempo, desaceleraram minha mente .
Mas algo dentro de mim resistia: viver para sempre assim?
A médica, diante das minhas perguntas, ameaçou encerrar o tratamento.
Não aceitava o meu questionar.
A medicina alternativa era vista como inferior.
Mas o silêncio — sim, o silêncio — insistia.
E foi ele que me levou a um novo caminho.
Sem recursos financeiros, sem remédio, sem rota clara…
Encontrei o Reiki no posto de saúde de uma pequena cidade do interior de Minas.
E essa porta abriu outras tantas.
Por quase um ano, ouvia meditações guiadas e, em 5 minutos, já estava dormindo profundamente, que nem me via desligando o celular. Muitas vezes, acordava embolada nos fios do fone de ouvido.
Já no segundo ano, me arriscava em tentar fazer meditação apenas com música e, mais tarde, apenas no tal temido “silêncio”.
A mudança de cidade me levou a imersões, rodas sagradas, saberes ancestrais.
Abandonei os remédios.
Me curei — por fé, por entrega, por escuta.
Como dizia Jesus Cristo:
"Tua fé te curou."
Hoje o silêncio me habita.
As vozes ainda existem, mas são ecos.
Ecos de uma antiga forma de viver.
Até os ruídos da reforma no apartamento ao lado não me tiram mais de mim.
E sobre a meditação sentada, em posição de lótus, foi indispensável para o meu aprendizado.
A meditação hoje é Ser presença nos pequenos afazeres do dia a dia.
No café da manhã.
Na louça lavada.
Na palavra dita com amor.
No olhar.
Na pausa.
O silêncio é meu remédio.
É minha casa.
É onde me reencontrei.


O silêncio assusta quem não está pronto para olhar para dentro de si próprio.